luta do filho contra o câncer

“Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga... ”, já dizia o poeta mineiro, Carlos Drummond de Andrade. A relação de mãe e filhos extrapola a criatividade literária. Há quem diga que a maternidade concede uma força especial às mães, capazes de ajudar seus filhos a enfrentarem o mundo. Juliana Dall Agnol é exemplo e resolveu compartilhar com todos a história que ela e sua família estão enfrentando: falou sobre a luta do filho de 7 anos de idade contra o câncer.

VINDA DA FAMÍLIA À CAMPO NOVO DO PARECIS

“Chegamos em Campo Novo do Parecis em 2010, em busca de crescimento profissional. Meu esposo, Carlos Donizete Burgos Franco, trabalhava na Coprodia de motorista e eu trabalhava em uma fazenda. Seis meses depois montamos uma empresa no segmento de sistemas de informática, específico para fazendas, dando suporte, consultorias e treinamentos para qualificação da mão de obra desse público específico”, contou Juliana.

O FILHO, CARLOS GABRIEL

“Carlos Gabriel Dall Agnol Burgos nasceu em 2013. Tive uma gestação tranquila, com um pré-natal normal, tudo normal. A previsão do parto era para o dia 25 de dezembro, mas por ele estar muito grande, antecipamos e acabamos fazendo o parto no dia 04 de dezembro. Carlos Gabriel nasceu perfeito”, relembrou emocionada.

 

O INÍCIO: DORES, FEBRE, FALTA DE APETITE E PERDA DE PESO

“No final de 2019 Carlos Gabriel começou a sentir dores abdominais, controláveis, mas, acompanhadas de algumas febres. Imaginamos que pudessem estar relacionadas a algo emocional pois, na época, passávamos por problemas com meu pai e com meu sogro. Meu pai acabou falecendo e Carlos Gabriel sofreu muito. Mesmo assim, fizemos vários exames. Nada foi acusado. Até ficamos no hospital, em observação. Porém, do mesmo jeito que a dor veio, a dor passou. Encerramos o ano de 2019 e iniciamos 2020 com fé e esperança de um ano próspero. Em meados de fevereiro notamos que ele vinha perdendo peso e apresentando certa indisposição. Ver uma criança ativa, esperta e ágil quieta, me chamou a atenção. Buscando acelerar o processo, fizemos alguns exames de rotina e já levamos prontos à consulta. Até aí, aparentemente tudo em ordem, exceto uma leve anemia que imediatamente começou a ser tratada. Também entramos com remédios de vermes, que é de praxe em crianças. E assim fomos seguindo. Em março a alimentação dele já estava diferente. Passou a ser mais seleto e comia menos. As vezes passava mal, vomitava e dali a pouco comia novamente.

 

FIQUEI ALERTA. PERCEBI QUE HAVIA ALGO ERRADO.

Concomitante com o início da pandemia, as coisas começaram a se agravar. Já não havia mais tantos médicos disponíveis e os atendimentos ficaram menos acessíveis. Refizemos exames e levei para um médico. Nesse momento Carlos Gabriel já apresentava dores ao redor do umbigo. O médico deduziu que pudesse ser a giárdia. O medicamos, mas, realizamos exames de contraprova. No dia 7 de abril Carlos Gabriel teve a primeira crise de cólica de abdome. Uma dor indescritível. Ele não conseguia se acalmar. Como nada fez passar, o levamos ao hospital. Foi administrado dipirona e depois tramal na veia. Não adiantou. Somente depois de 24 h que as dores foram diminuindo.

FOI HORRÍVEL VER MEU FILHO COM TANTA DOR E NÃO PODER FAZER NADA!

Fizemos vários exames e tomografias. Ao analisar tudo, descobrimos um espaçamento intestinal. Fizemos uma ultrassonografia com o Dr. André, muito atencioso, querido e prestativo. Ele e a Dra. Joelma nos atenderam várias vezes fora do horário. Nos acolheram. Os resultados saíram e descobrimos ínguas muito grandes na extensão intestinal dele. Razão que justificava as fortes dores. Tentamos muitos outros exames para descobrir o que era aquilo. Sem respostas! Decidimos então buscar entendimento fora de Campo Novo do Parecis.

 

FOMOS À CUIABÁ!

Porém, com a pandemia, tudo se tornou muito difícil. O foco principal era a Covid-19. Pedimos socorro, mas não conseguimos atendimento no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Nos encaminharam à policlínica do Verdão, já lá, a pediatra de plantão, Dra. Larissa, prontamente nos atendeu e disse que o local de atendimento para Carlos Gabriel deveria ocorrer no HMC. Porém, como ele “não corria risco de morte”, não conseguimos atendimento. Nessas horas você não sabe o que fazer, não sabe para onde correr. Simplesmente senta, respira e tenta agir da melhor maneira possível. No dia seguinte liguei para o meu médico em Tangará da Serra, Dr. Marcelo Shida (in memoriam) e pedi socorro. Sabia que não era a especialidade dele, mas estava desesperada. E ele prontamente nos recebeu. Meu filho estava desfalecendo de dor. Mas foi em Tangará que o estabilizamos e ganhamos tempo para que pudéssemos chegarmos ao diagnostico que precisávamos chegar.

NOVOS EXAMES

De Tangará seguimos para um gastropediatra em Cuiabá. Refizemos a tomografia e, novamente, detectou-se o espaçamento intestinal. Foram solicitados exames de colonoscopia e endoscopia. Já era abril de 2020. Os exames foram marcados para final de maio, um mês depois. Lutamos para amenizar as dores de Carlos Gabriel até o tão esperado dia 28 de maio. Finalmente fomos fazer os exames. Já no consultório, quando estavam fazendo a sedação dele, precisamos nos retirar da sala. Mais ou menos 10 minutos depois o doutor que fazia o exame foi até a porta e disse: - Cadê a mãe do Carlos Gabriel? Me apavorei, sabia que aquele era um exame demorado. Já pensei mil e uma coisas ruins. Me identifiquei e ele disse: - Mãe, consigo ver aqui que não existe nada gástrico. Vocês precisam de um hematologista. Fiquei sem chão. Sem caminho.

Era quase meio dia quando ele foi liberado. Voltamos para a gastropediatra, Lanna Maluf, um anjo sem asas. Carlos Gabriel em crise, com muita dor. Eu chorando de um lado e meu filho de outro. A doutora também chorava, emocionada com a situação. Tivemos que internar e, naquele mesmo dia, 28 de maio, às 22 h, demos entrada no Hospital Universitário Julio Müller. Lá, finalmente, iriamos ter um caminho para identificar a causa do problema.

DIAGNÓSTICO

Na manhã de sábado Carlos Gabriel entrou em cirurgia para realização de biópsia. Haviam nódulos na virilha e pescoço bastante visíveis e muita dor, administradas com morfina. A biópsia foi realizada no sábado. Na quarta, com os resultados em mãos, constatamos que era câncer nos linfomas Não Hodgkin (LNH).

TRATAMENTO

Duas horas depois que nos deram a notícia, fomos encaminhados aos Hospital do Câncer. Iniciamos o tratamento no dia 04 de junho, ao meio dia, com a primeira quimioterapia padrão.

Naquele momento era risco dele era considerado médio. A partir da terceira quimioterapia iniciamos o tratamento específico para o protocolo dele. Nesse meio tempo, depois da segunda quimio de protocolo ele adquiriu uma infecção intestinal e percebemos que o câncer estava aumentando. Ele já era de considerado de alto risco, culminando com a necessidade de uma quimioterapia mais forte, liberada somente pelo Ministério da Saúde, pois age matando todos os glóbulos de uma vez só, deixando o corpo sem defesas e permitindo que as doenças oportunistas ganhem espaço.

Foi aí que começaram as intercorrências. Primeiro foram feridas na boca. Depois, problemas intestinais que o levaram à UTI. Nesse momento a gente assiste todos os filmes de terror ao mesmo tempo. A correria é grande, a expectativa maior ainda e a vontade de sair dali com ele bem é muito mais. Ele saiu dessa, graças a Deus. Retornamos ao Hospital do Câncer e concluímos o tratamento com uso de antibióticos. Porém, com a ida à UTI ele adquiriu uma bactéria e além de lutar com o câncer, com um problema intestinal, também teríamos que lutar contra uma bactéria muito agressiva. Continuamos o tratamento, foram mais de 40 dias no hospital. Chegou novamente o dia de tomar a quimioterapia e, mais uma ves, ele teve uma intercorrência e precisamos suspender a quimioterapia. Voltamos para casa para que ele pudesse se restabelecer. Estava muito debilitado. Para um paciente oncológico todo dia é um dia. Não temos previsões. Subimos um degrau de cada vez e cada um deles significa uma vitória. Após 15 dias em casa, Carlos Gabriel estava recuperado e retornamos ao hospital. Era hora de iniciar o sexto bloco de quimioterapia. No total, são 10.

FOTO DE ARQUIVO PESSOAL - Juliana Dall Agnol e Carlos Donizete Burgos franco e o aniversariante e guerreiro Carlos Gabriel Dall Agnol Burgos. Dr. Luiz as enfermeiras Poliana e Cleia e as técnicas de enfermagem Ana e Rosangela.

O APOIO E SOLIDARIEDADE

Preciso ressaltar o apoio de toda equipe médica e de enfermagem do Hospital do Câncer, que nos tratam com muito carinho e humanidade. A ala de pediatria foi especialmente organizada para dar uma leveza aos pacientes pediátricos. Além disso, agradeço imensamente a comunidade camponovensse que nos transmite amor e energia positiva. Sabemos que tem uma multidão orando por nós nesse momento. Nossa gratidão a todos! SUPERAÇÃO Hoje Carlos Gabriel é hexacampeão. O pior já passou! O câncer é um problema pesado e ingrato, mas, Graças a Deus até esse momento está tudo bem. Perfeitamente bem. Cheios de esperança, seguimos, superando um dia de cada vez e buscando a cura. Meu filho é um menino especial, diferenciado, persistente e que se permite ser tratado. Temos fé que tudo isso vai acabar logo e voltaremos para casa com ele bem e cheio de saúde.

Gabriel continua em tratamento, a cada dia vencido, cada minuto de dor recebemos uma força espiritual que vem através de orações que nos dar forças. Ele é sem duvidas muito especial.

 

Todas as fotos foram cedidas por Juliana de seu arquivo pessoal

A Ellos In Revista agradeçe a família por em um momento de dor, compartilhar a história com os nossos leitores.

Mas sabemos que muitos estarão voltados a um pensamento positivo e energias boas, juntando a esse guerreiro e a família. Força anjo você irá vencer!!!

Fonte: Ellos In Revista